19 de out de 2017

AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ ELEITORAL DA ---ª ELEITORAL EM ---.
MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL,






                                          por seu órgão infra-assinado, vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 14, §§ 10 e 11, da Constituição Federal, e 162 da Resolução TSE n.º 22.712/08, propor, no prazo legal, a presente AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO, adotando-se o rito previsto no artigo 3º da Lei Complementar n.º 64/90, nos termos da citada resolução, em face de --------, residente na --------, diplomado no dia ---- de dezembro de 2008 ao cargo de ------ pelo Partido ---------, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

                                                 1. DOS FATOS

                                                 Segundo constam dos autos da documentação anexa (normalmente cópias de representações eleitorais já instauradas para apurar as hipóteses ensejadoras da AIME) o candidato ----- , eleito para o cargo de ------ pelo Partido -------, praticou abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. A conduta foi a de publicar e veicular propaganda eleitoral em seu benefício, em jornal de distribuição gratuita, de circulação em diversas regiões desta Capital, com o nítido objetivo de fixar o nome e a imagem de tais candidatos no seio da comunidade, com vistas às suas reeleições.
As provas que instruem esta impugnação de mandato eletivo comprovam que a propaganda do candidato ------- no jornal ------ foi custeada integralmente pela ------ e veiculada a título gratuito em benefício de tais candidatos.

                                       (Trechos da propaganda e eventuais depoimentos).

                                                                Do que foi apurado, tem-se que o candidato --------- recebeu doação indireta, consistente em publicação de propaganda eleitoral, custeada por entidade vedada por lei, em periódico de responsabilidade de -----------.
O jornal objeto daquela representação é presidido e coordenado por ------; tem como jornalista responsável ------ e circula bimestralmente. Essa edição teve tiragem de 20.000 exemplares (superior às tiragens ordinárias) e as despesas de confecção foram custeadas integralmente pela ---------.
Diante de tais fatos e do exame da propaganda inserta no jornal anexo, tem-se que o então candidato ----------- incidiu na prática de abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, haja vista que fez publicar e veicular propaganda eleitoral em seu benefício, com o nítido objetivo de fixar seus nomes e suas imagens no seio da comunidade, com vistas às suas eleições.
O cunho eleitoral das propagandas veiculadas é manifesto, já que, publicou-se no jornal -----------,  a fotografia do ora impugnado, o cargo por ele postulado, seu nome, o número pelo qual disputou as eleições ( ------ ), a sigla do partido a que está filiado (-------) e os dizeres ----------.
A produção e distribuição graciosa desse periódico, com expressiva tiragem, mesmo que de circulação restrita à numerosa comunidade evangélica, caracteriza a doação vedada prevista artigo 24, inciso VIII,[1] da Lei n.º 9.504/97 (doação indireta feita por entidade religiosa), porquanto foi custeado pela ---------.
Estes são, em síntese, os fatos apurados.

                                                                     2. DO DIREITO


                                                                A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, prevista no artigo 14, §§ 10 e 11 da Constituição Federal, é uma ação de interesse público, que se processa perante a Justiça Eleitoral, nas hipóteses de corrupção eleitoral, abuso do poder econômico ou fraude, in verbis:

 Artigo 14: A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
(...omissis...)
§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas do abuso de poder econômico, corrupção ou fraude.
§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
No mesmo sentido, dispõe o artigo 171 da Resolução TSE n.º 22.712/08:

Art. 162. O mandato eletivo poderá também ser impugnado perante a Justiça Eleitoral após a diplomação, no prazo de 15 dias, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude (Constituição Federal, art. 14, § 10).
§ 1º A ação de impugnação de mandato eletivo observará o procedimento previsto na Lei Complementar n.º 64/90 para o registro de candidaturas e tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé, aplicando-se as disposições do Código de Processo Civil apenas subsidiariamente (Constituição Federal, art. 14, § 11).
§ 2º À ação de impugnação de mandato eletivo não se aplica a regra do art. 216 do Código Eleitoral.

                                                   Pelo que se depreende do teor dos dispositivos da Constituição Federal e da Resolução referidos, o legislador procurou combater as irregularidades que afetam, direta ou indiretamente, a normalidade e a legitimidade das eleições, com a cassação do mandato eletivo do candidato vencedor que se utilizou de fraude, corrupção ou abuso do poder econômico.

Segundo o escólio de Joel José Cândido,[2] a Ação de Impugnação de Mandado Eletivo "fundar-se-á, obrigatoriamente, nos pressupostos constitucionais desde logo apresentados pela Lei Maior, ou seja, o abuso de poder econômico, a corrupção e a fraude, aqui todos em sentido amplo. Como exemplo, abuso do poder econômico em qualquer fase do processo eleitoral, pouco importando se na propaganda ou no dia da eleição; corrupção causada por influência econômica ou corrupção moral; fraude como sinônimo de engodo, ardil, abuso de confiança, logro prejudicial, etc. Não se pode admitir que o legislador maior tenha querido punir um sentido e não tenha querido o outro ".
Em se tratando de Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, ao contrário das normas que disciplinam o Recurso Contra a Expedição de Diploma, a inicial não precisa vir, necessariamente, instruída  com provas de abuso de poder econômico, corrupção ou fraude, já que o rito previsto no art. 3º e seguintes da Lei Complementar n.º 64/90, adotado para o processamento desta ação constitucional,[3] permite a plena instrução do feito.
Neste sentido, trilha o entendimento do C. Tribunal Superior Eleitoral:
Recurso Especial. Falta de inquirição de testemunha. Nulidade. Ação de impugnação de mandato eletivo. Inexigibilidade de prova pré-constituída. 1. Na Justiça Eleitoral, é indispensável a demonstração do efetivo prejuízo para a declaração de nulidade (CE, art. 219). 2. A ação de impugnação de mandato eletivo não exige para o seu ajuizamento prova pré-constituída, mas tão-somente indícios idôneos do cometimento de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.  Recurso especial não conhecido. (Acórdão n.º 16.257, de 20.6.2000 - Recurso Especial Eleitoral n.º 16.257/PE Relator: Ministro Edson Vidigal, DJ de 11.8.2000.) (g.n.)

Confira-se, ainda, as precisas lições do insigne jurista  Fávila Ribeiro:[4]
O processo, (...), seja ele qual for, objetiva a colheita da verdade, fornecendo elementos de convencimento sobre a inculpação de alguém sobre ato ilícito determinado, não podendo ficar vagueando no terreno movediço das suposições ou suspeitas, mas em provas que nele se devem ter produzido, contando com a atuante participação dos protagonistas e somente assim haverá feição contraditória.

A conduta praticada pelo impugnado subsume-se exatamente aos tipos previstos nos  artigos 24, VIII e 25 da Lei 9.504/97, que tratam de recebimento de doação de entidade religiosa por parte de ----------, configurando com tal conduta abuso de poder econômico.
O candidato impugnado recebeu da -------, doação indireta, estimável em dinheiro, por meio de propaganda eleitoral estampada em periódico, com veiculação bimestral, procedente e custeado por referida entidade religiosa.
Diante disso, o impugnado incidiu na conduta vedada prevista no artigo 24, inciso VIII,[5] da Lei n.º 9.504/97, configurando, por conseqüência, abuso de poder econômico previsto no artigo 25, in fine, da referida lei. Com efeito, dispõem tais dispositivos de lei:
Art. 24. É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
(...omissis...)
VIII - entidades beneficentes e religiosas;
(...omissis...)” (g.n.)

Art. 25. O partido que descumprir as normas referentes à arrecadação e aplicação de recursos fixadas nesta Lei perderá o direito ao recebimento da quota do Fundo Partidário do ano seguinte, sem prejuízo de responderem os candidatos beneficiados por abuso do poder econômico.” (g.n.)

Impende salientar que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada no dia 17 de setembro de 2015, por maioria e nos termos do voto do ministro relator, Luiz Fux, “julgou procedente em parte o pedido formulado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4650 para declarar a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que autorizavam as contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais, de modo que, a partir de então, passou a ser vedada qualquer doação , direta ou indireta, em dinheiro ou estimável,  de pessoa jurídica a campanhas eleitorais, não se limitando mais a proibição às empresas indicadas no artigo 24 da Lei nº 9.504/97.
Verifica-se que os textos insertos a fls. -----, constantes do periódico encartado a fls. ----, enaltecem, sobremaneira, a imagem e dão apoio incondicional ao então candidato -----. Além disso, foram publicados com a intenção de divulgar e dar publicidade a esse candidato no seio da comunidade vinculada à referida entidade.
A distribuição gratuita desse periódico, com tiragem de 20.000 exemplares (tiragem superior à normal), mesmo que de circulação restrita à numerosa comunidade evangélica, não descaracteriza a doação vedada prevista no artigo acima transcrito (doação indireta feita por pessoa jurídica, no caso, entidade religiosa), porquanto foi custeado pela -------.

                                                             3.1. Do abuso de poder econômico (art. 25 da Lei 9504/97)

                                                         O legislador, buscando coibir o desvirtuamento do resultado das eleições pelo uso indevido dos meios de comunicação e pelo abuso do poder econômico, positivou regra no Código Eleitoral:
     
                                                  “Art. 237. A interferência do poder econômico e o desvio ou abuso do poder de autoridade, em desfavor da liberdade do voto, serão coibidos e punidos
Reforçando as hipóteses de abuso, o artigo 25, in fine, da Lei Federal n.º 9.504/1997, dispõe que o descumprimento das normas referentes à arrecadação e aplicação de recursos em campanha eleitoral, previstas nos art. 17 a 24 da referida lei, configura abuso de poder econômico.
 Por isso, Renato Ventura Ribeiro, em sua obra “Lei Eleitoral Comentada (Lei n. 9504, de 30 de setembro de 1997)”, defende que, apesar de não previsto expressamente, a violação desses dispositivos “implica responsabilidade dos candidatos por abuso de poder econômico (LE, art. 25), com as conseqüentes possibilidades de recurso contra a diplomação e ação de impugnação de mandato eletivo, além das sanções na esfera criminal.”[6]
A previsão contida no art. 25, caput,  da Lei 9504/97 é suficiente para se acolher a pretensão ora deduzida, tendo em vista que os fatos narrados não deixam dúvidas da ocorrência de abuso de poder econômico em favor da candidatura de -------- ao cargo de -------.
A doutrina de Pedro Roberto Decomain, define como abuso de poder econômico "o emprego de recursos produtivos (bens e serviços de empresas particulares, ou recursos próprios do candidato que seja mais abastado), fora da moldura para tanto traçada pelas regras de financiamento de campanha constante da Lei n. 9.504/97”.[7]
Dito isto, no presente caso, o abuso de poder econômico, bem como o uso indevido de meio de comunicação, estão devidamente demonstrados.
Ainda citando o entendimento de Renato Ventura Ribeiro, ao comentar o artigo 24 da Lei nº 9504/1997, “o candidato ou partido está proibido de receber qualquer doação, em dinheiro ou estimável em dinheiro (cf. art. 23) das pessoas acima mencionadas. Assim, a mera cessão de espaço de imóvel, ainda que em comodato e para um único evento de campanha, de bens (seja a que título for), serviços ou servidores públicos, configura a doação estimável em dinheiro vedada pela lei. [...]. O artigo, ao mencionar publicidade, inclui também entrevistas e cobertura de eventos em campanha através de jornais ou meios de comunicação (mesmo internos) das pessoas jurídicas acima referidas.[8] (g.n.)
A objetividade jurídica do disposto no artigo 24 da lei da eleições é justamente vedar, incondicionalmente, as doações das pessoas jurídicas elencadas em seus incisos, as quais não podem ter por objeto a atividade política.
O que se percebe é que o impugnado violou de forma consciente o princípio da igualdade que deve pautar as eleições, a partir do uso indevido dos meios de comunicação e do abuso de poder econômico que aqueles detêm.
Apreciando hipótese semelhante à ora ventilada, precedente do Colendo Tribunal Superior Eleitoral:

Investigação judicial. Imprensa escrita. Jornal. Criação. Proximidade. Eleição. Distribuição gratuita. Notícias. Fotos e matérias. Favorecimento. Candidato. Uso indevido dos meios de comunicação social. Tiragem expressiva. Abuso do poder econômico. Lei Complementar n.º 64/90.
Jornal de tiragem expressiva, distribuído gratuitamente, que em suas edições enaltece apenas um candidato, dá-lhe oportunidade para divulgar suas idéias e, principalmente, para exibir o apoio político que detém de outras lideranças estaduais e nacionais, mostra potencial para desequilibrar a disputa eleitoral, caracterizando uso indevido dos meios de comunicação e abuso do poder econômico, nos termos do art. 22 da Lei Complementar n.º 64/90” – g. n.
(Recurso Ordinário n.º 688 – Classe 27ª - Santa Catarina - Xanxerê. Acórdão n.º 688, Rel. Ministro Fernando Neves. J. 15.04.2004, DJU 21.06.2004).

Na oportunidade, o C. TSE houve por bem confirmar o v. acórdão proferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, que estava assim ementado:

investigação judicial eleitoral. uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico. lei complementar n 64/1990.
- Jornal. Evidente favorecimento de um candidato em detrimento dos demais. Fotos e matérias enaltecendo qualidades e divulgando as idéias e projetos.
- É fato incontestável que a formação do convencimento do eleitor é feita, no mais das vezes, com fundamento nas informações veiculadas por órgãos de imprensa. A força da mídia, tida por alguns como um quarto poder nas sociedades modernas, merece detida análise quando constatados indícios de manipulação das notícias veiculadas ou de tentativa de direcionar a opinião pública.
- Um periódico que em todas as edições traz matérias enaltecendo apenas um candidato e abrindo-lhe espaço para que mostre suas idéias e principalmente, para exibir o apoio político que detém de outras lideranças estaduais e nacionais, certamente causa desequilíbrio na disputa e caracteriza o uso indevido dos meios de comunicação social previsto no art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990.
- Abuso de poder econômico configurado em face da expressiva tiragem do jornal – cinco mil exemplares – distribuídos gratuitamente.
- procedência parcial”.

A hipótese ora retratada é a mesma. O jornal distribuído gratuitamente traz matérias que enaltecem as qualidades pessoais e políticas do impugnado, certo que na edição de setembro foi reiterada a propaganda eleitoral do referido candidato.
A solução a ser dada aqui, portanto, é a mesma daquela adotada pelo E. Tribunal Superior Eleitoral: o reconhecimento da ocorrência de abuso de poder econômico a justificar a aplicação das sanções previstas no artigo 14, §§ 10 e 11, da Constituição Federal.


3.1.1. Da Gravidade das Circunstâncias

A potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição não mais é condição essencial para a configuração do ato abusivo objeto da AIJE. A Lei Complementar n° 64/90 sofreu recente alteração em seu art. 22 pela Lei Complementar n° 135/2010.
Para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam (inciso XVI do art. 22). Caso a conduta tenha o condão de afetar a legitimidade e normalidade da eleição, ainda que não tenha dado ao candidato o resultado esperado, será punida, tomando-se o cuidado para não se punir eventos de pequena monta que não exibem a robustez necessária para macular o pleito. Eis recente jurisprudência sobre o tema:

“(...) A mudança de paradigma quanto à retirada do requisito da potencialidade para configurar o abuso, bastando agora apenas a gravidade das circunstâncias nas quais o fato indevido ocorreu, conforme a redação do inciso XVI do art. 22 dada pela Lei Complementar n.° 135/2010, não significa porta aberta para punições de eventos de pequena monta que não exibem a robustez necessária para macular o pleito, porquanto devem ser ainda sopesados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.” (AIJE n.° 2992-43/Campo Grande - Acórdão n.° 6.742 de 23.8.2010, rel. Juiz Des. RÊMOLO LETTERIELLO. DJE de 27.8.2010)

Ocorrerá abuso de poder econômico sempre que houver o uso de recursos materiais ou humanos fora do círculo permissivo da legislação eleitoral com o objetivo de obter vantagem para candidato, partido ou coligação, comprometendo a legitimidade e normalidade da eleição.
É sabido ainda que atualmente é vedada o recebimento de doação de pessoas jurídicas, ainda que por meio de publicidade. A utilização de recursos proveniente de entidades religiosas ou outras indicadas no artigo 24 da Lei nº 9.504/97 já eram vedadas e passaram a ser consideradas inconstitucionais após o julgamento da ADI 4650, pelo Supremo Tribunal Federal. No caso, não há como deixar de se reconhecer que de fato o representado se beneficiou de recursos ilícitos, além da utilização indevida de meios de comunicação social, com graves consequências para o equilíbrio do pleito eleitoral.
Evidente que as condutas realizadas afetaram diretamente o eleitorado, que foi influenciado pela distribuição de jornais financiados com recursos vedados na legislação eleitoral, além de configurar utilização indevida de meios de comunicação social, levando em consideração que os demais postulantes não tiveram oportunidade de realizar propaganda eleitoral desse tipo.
Observe-se que o texto constitucional emprega a palavra influência e não abuso, como consta do artigo 1º, I, alíneas d e h, da LC nº 64/90. Esse termo - influência – apresenta amplitude maior que "abuso", pois retrata a mera inspiração ou sugestão exercida em alguém, ou, ainda, o processo pelo qual se incute ou se infunde em outrem uma ideia, um sentimento ou um desejo. A influência, portanto, pode não decorrer de explícito mau uso do poder econômico, podendo, ao contrário, ser corolário de um uso aparentemente normal, lícito, mas que, à vista das circunstâncias consideradas, deixa de ser razoável.
O que se pretende arrostar é a influência abusiva exercida por detentores de poder econômico ou político, considerando-se como tal a interferência de matiz tendencioso, realizada deliberada ou veladamente em proveito - ou em prejuízo - de determinada candidatura ou grupo político. De qualquer sorte, a expressão influência do poder é mais eIástica que abuso do poder, permitindo, pois, maior liberdade do intérprete na análise dos fatos. O emprego da interpretação extensiva, aqui, certamente poderá levar o exegeta a afirmar como abusivas situações em que a mera influência foi eficaz no sentido de desequilibrar o pleito. (GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 8.ed.São Paulo: Atlas, 2012, p. 468).
Oportuno destacar a ponderação de Edson de Resende Castro, segundo o qual:

“o abuso de poder interfere diretamente na tomada de decisão pelo eleitor, daí que constitui em contundente afronta ao princípio democrático. Atinge o bem jurídico de maior consideração no Direito Eleitoral, que é a normalidade e legitimidade das eleições. Uma campanha eleitoral marcada pelo abuso de poder e/ou pelo uso indevido dos meios de comunicação social acaba comprometendo os resultados das urnas” [9]. (g.n.)
A conduta praticada pelo impugnado buscou, a todo o momento, atingir o maior número possível de eleitores da comunidade religiosa, considerando que cada membro da ------- tenha passado as informações a seus familiares.
Sendo certo que a tiragem dos exemplares objetos destes autos – 20.000 (vinte mil) em agosto e 10.000 (dez mil) em setembro, totalizando 30.000 (trinta mil) exemplares– foi muito superior à usual, e considerando que os dez mil exemplares do mês de setembro foram distribuídos apenas doze dias antes das eleições, resta patente a caracterização do abuso de poder econômico prevista nos arts. 24 e 25 da Lei 9.504/97, por parte do impugnado, conduta esta que se subsume à hipótese prevista no artigo 14, §10, da Constituição Federal, tudo conforme acima narrado e comprovado pelas provas documentais e testemunhais que instruem a presente ação.

3. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer o MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL:
a) o recebimento e o processamento da presente impugnação;
b) a notificação do impugnado -------, residente na ----, e/ou do banco de dados eleitoral desse MM. Juízo Eleitoral, para, querendo, apresentar a sua defesa no prazo de 07 (sete) dias;

c) a regular tramitação desta ação, nos termos dos arts. 4º e seguintes da Lei Complementar n.º 64/90, para, ao final, ser  acolhido o pedido formulado na exordial, para o fim de cassar o mandato do ora impugnado;
Protesta e requer, ainda, provar o quanto acima aduzido por todos os meios e formas em direito admitidos, especialmente a juntada de documentos e a oitiva das testemunhas indicadas no rol abaixo:

--------------------
Promotor Eleitoral




AIME AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ ELEITORAL DA ---ª ELEITORAL EM -----.








O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, por seu órgão infra-assinado, vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 14, §§ 10 e 11, da Constituição Federal, e 173 da Resolução TSE n.º 23.456/2016, propor, no prazo legal, a presente AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO, adotando-se o rito previsto no artigo 3º da Lei Complementar n.º 64/90, nos termos da citada resolução, em face de:
1) Candidatos eleitos;
2) Cantidatas fictícias, se tiverem participado da fraude, sabendo que não fariam campanha. Se sequer sabiam, devem ser arroladas como testemunhas;
3) Demais candidatos, suplentes;
4) Partido ou Coligação;
5) Agente do ilícito, ainda que seja o dirigente do partido ou coligação;
pelas seguintes razões de fato e de direito:

DOS FATOS
Os Candidatos Impugnados tiveram suas candidaturas registradas pelo Partido ........, que disputou as eleições municipais de 2016 em comunhão de esforços com os Partidos ........, formando a Coligação .......
Mencionada Coligação apresentou à Justiça Eleitoral, em agosto, a lista de seus candidatos à eleição proporcional, formada por xxx homens e xxx mulheres, com o que teria preenchido o percentual mínimo de 30% de candidaturas do sexo feminino, conforme expressamente exigido pelo art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97. Em razão disso, o respectivo DRAP foi deferido e admitida a participação da Coligação, com todos os partidos que a integraram, na eleição proporcional do corrente ano.
Durante a campanha eleitoral, entretanto, o MPE recebeu informações de que as “candidatas” ............ não estavam concorrendo de fato, pois não faziam campanha e não buscavam os votos dos eleitores. Cogitando a hipótese de candidatura fictícia, apresentada apenas para preencher a cota de gênero e, com isso, possibilitar a participação da Coligação – e dos partidos que a integraram - nas eleições proporcionais, o MPE instaurou o PPE – Procedimento Preparatório Eleitoral – n. ....................... (cuja anexação fica desde já requerida) e empreendeu as seguintes diligências para o esclarecimento dos fatos:
a)  Consultado o Cartório Eleitoral sobre a detecção, por ocasião do controle concomitante dos gastos de campanha, de propaganda eleitoral das “candidatas”, constatou-se que não foram encontrados impressos e santinhos para panfletagem, papeis e adesivos para bens particulares, adesivos para veículos, anúncios em jornais, etc.
b)  Consultada a rede social denominada Facebook, foi encontrado o perfil pessoal das “candidatas”, nos quais não há sequer uma postagem fazendo referência às candidaturas ou pedindo votos. Ao contrário, no perfil da “candidata” .... ainda se vê (documento de fls. ...) a propaganda eleitoral do candidato ....., em tese seu adversário na disputa eleitoral.
c) Requisitadas as claquetes das mídias da propaganda eleitoral da Coligação, em nenhuma delas se vê referência ao anúncio da propaganda eleitoral das ditas “candidatas”.
d) Requisitada informação ao Jornal... sobre se houve contratação de anúncios para as “candidatas”, a resposta foi negativa.
e) Nas contas parciais e nas finais, as "candidatas" nada arrecadaram e nada gastaram.
f)  Ouvidas, elas disseram que sequer sabiam que haviam sido registradas como "candidatas", lembrando-se apenas que assinaram alguns documentos a pedido do presidente do partido, Sr. ??....................
g) Consultado do resultado final da apuração, viu-se que elas tiveram ZERO voto.
Não restou dúvida ao MPE, portanto, que a Coligação Impugnada levou as ditas candidatas a registro apenas para cumprir FORMALMENTE a condição indispensável à sua participação nas eleições proporcionais, qual seja, a formação da sua lista de candidatos ao Legislativo com pelo menos 30% de mulheres. 
Então, de fato, a Coligação concorreu com apenas xxxx candidatas, o que representa xxx% em relação ao número total de candidatos da lista, muito aquém do mínimo exigido em lei. 
DO DIREITO APLICÁVEL À ESPÉCIE 
A Lei n. 9.504/97, em seu artigo.  10, § 3º, a partir da redação dada pela Lei n. 12.034/2009, instituiu política afirmativa da participação das mulheres nos pleitos eleitorais e exigiu providências dos partidos políticos para a formação de quadros femininos aptos a disputar as eleições com reais possibilidades de sucesso ou pelo menos com efetiva busca dos votos dos eleitores. Valendo-se da expressão "preencherá" o mínimo de 30%, o legislador deixou clara a condição de admissibilidade da lista a registro na Justiça Eleitoral e, mais, de sua apresentação ao eleitorado, na expectativa de preenchimento mais equilibrado das cadeiras do parlamento.
Art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97: “Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partidos ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo”. (grifei)
Sendo o percentual mínimo uma condição para o registro da lista, o próprio sistema de registro de candidatura desenvolvido pelo TSE foi construído para fazer o cálculo e alertar o Juiz na hipótese de não observância, para que o partido ou coligação pudesse sanar o vício, apresentando novas candidaturas femininas ou excluindo algumas masculinas. Tudo isso, como se sabe, durante o processamento do DRAP – demonstrativo de regularidade dos atos partidários –, para admissão, ou não, da participação do partido/coligação nas eleições proporcionais. De fato, dentre os atos preparatórios da participação do partido/coligação nas eleições proporcionais, que haverão de ser regulares, está a formação da lista de candidatos com observância dos percentuais mínimo e máximo fixados no dito art.  10, § 3º, da Lei n. 9.504/97.
Se os referidos atos preparatórios forem praticados com alguma irregularidade, dentre as quais se destaca a não observância do percentual mínimo de mulheres, o partido/coligação não terá, a rigor, um DRAP. Daí que outra não é a solução senão o indeferimento do pedido de registro de candidatura por ele apresentado, o que equivale a dizer que toda a lista de candidatos não será admitida a registro.  Dito com outras palavras, o partido/coligação não será admitido na disputa proporcional e as condições pessoais (condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade) de cada um dos candidatos da lista sequer serão avaliadas e julgadas.
Tudo porque, repita-se, o preenchimento da lista com o mínimo de 30% de mulheres é condição indispensável para a participação do partido/coligação nas eleições proporcionais.
Neste sentido, a doutrina especializada:
“Com a Lei n. 12.034/2009, a exigência de percentual mínimo de candidaturas de ambos os sexos (reserva de gênero) passou a ser ainda mais incisiva. De fato, o § 3º, do art. 10, da Lei n. 9.504/97, que dantes impunha aos partidos e coligações a reserva das vagas, agora diz que estes preencherão o mínimo de 30% com candidaturas do sexo minoritário. Daí que o partido terá que incluir na sua lista o mínimo de 30% de mulheres, p.ex., não bastando que não ultrapasse os 70% de candidaturas masculinas. A substituição da expressão “deverá reservar” pelo vocábulo “preencherá”, aliada à imposição de aplicação financeira mínima e reserva de tempo no rádio e TV (Lei n. 9.096/95, alterada pela dita Lei n. 12.034/2009), revela nitidamente a vontade do legislador de incluir as mulheres na disputa eleitoral. Esse percentual mínimo (30%) será calculado sempre sobre o número de candidaturas que o partido/coligação efetivamente lançar e não sobre o total que a lei indica como possível (150% ou 200% do número de vagas a preencher). Para uma Câmara Municipal com 15 Vereadores, p.ex., em que a coligação pode lançar até 30 candidatos, se a sua lista, levada a registro, contiver apenas 20 nomes, pelo menos seis devem ser de candidaturas de um sexo e no máximo quatorze do outro. Chegando a lista à Justiça Eleitoral sem observância desse mínimo, ela deve ser devolvida ao partido/coligação, para adequação, o que imporá o acréscimo de candidaturas do sexo minoritário ou a exclusão de candidatos do sexo majoritário, assim alcançando-se os limites mínimo e máximo. (Curso de Direito Eleitoral, Edson de Resende Castro, Editora Del Rey, 8ª Edição, 2016, página 113)

Na jurisprudência, o tema tem recebido igual tratamento:
RECURSO ELEITORAL. REGISTRO DE COLIGAÇÃO. ELEIÇÕES 2012. DEMONSTRATIVO DE REGULARIDADE DE ATOS PARTIDÁRIOS (DRAP). APRESENTAÇÃO DO NÚMERO DE CANDIDATOS PROPORCIONAIS SUPERIORES AO PERMITIDO PELA LEI. INOBSERVÂNCIA DOS PERCENTUAIS DE CANDIDATURA POR SEXO. VIOLAÇÃO DO ART. 10, §§ 1°. E 3°. DA LEI N. 9.504/97. A ATA DE CONVENÇÃO DO PARTIDO INTEGRANTE DA COLIGAÇÃO NÃO FOI ASSINADA PELO REPRESENTANTE LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIAS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 03 DO EG. TSE. INTIMAÇÃO DO REPRESENTANTE DA COLIGAÇÃO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. IMPROVIMENTO DO RECURSO.
1. A coligação apresentou número de candidatos proporcionais superior ao permitido pela lei e a informação do Cartório da 34ª Zona Eleitoral também demonstrou que não foram observados os percentuais de candidatura por sexo.
2. O § 3°, do art. 10, da Lei n. 9.504/97, na redação dada pela Lei n. 12.034/2009, passou a dispor que, "do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo'', substituindo-se, portanto, a locução anterior "deverá reservar'' por 'preencherá", a demonstrar o atual caráter imperativo do preceito quanto à observância obrigatória dos percentuais mínimo e máximo de cada sexo. Precedentes do Eg. TSE e desta Corte.
 3. O representante da coligação, inobstante tenha sido regularmente intimado, não sanou a irregularidade concernente aos percentuais de candidatura por sexo e também não providenciou a assinatura da presidente e da secretaria na ata da convenção do Partido Trabalhista Cristão - PTC.
 4. A jurisprudência do TSE somente admite a abertura de prazo na sede recursal, no caso de não ter sido dada oportunidade para a regularização da falha na primeira instância, hipótese que não diz respeito ao presentes autos.
 5. Improvimento do recurso, com a manutenção da sentença que indeferiu o registro da coligação.
(Recurso Eleitoral nº 15209, Acórdão nº 465 de 17/08/2012, Relator(a) MARCO ANTONIO PINTO DA COSTA, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 17/08/2012).

Se o mínimo de 30% é condição para a participação do partido nas eleições e se a Coligação Impugnada não apresentou candidaturas reais, ao contrário, apresentou candidaturas fictícias, ela (Coligação Impugnada) sequer poderia ter sido admitida ao registro.  O Juiz, tivesse percebido a fraude contida na lista, a teria indeferido (porque outra solução não havia) e os candidatos apresentados por ela não teriam sequer buscado e recebido os votos que os elegeram.  Equivale dizer que o status de eleitos, agora atribuído aos Candidatos Impugnados, só foi possível alcançar em razão da fraude lançada na lista, resultado das odiáveis "candidaturas fictícias". Os diplomas que lhes foram conferidos pela Junta Eleitoral decorreram, então, da fraude praticada no início da corrida eleitoral.
Queimada a largada, impossível validar a chegada de todos os que integraram a lista fraudada!
No caso presente, a Coligação Impugnada nem pode alegar desconhecimento da exigência legal de percentual mínimo para as mulheres e do consequente comprometimento de toda a lista em caso de descumprimento, pois o MPE - que marca a sua atuação no processo eleitoral pela orientação aos atores nele envolvidos, exatamente para evitar atos viciosos desta natureza, que tanto trauma provoca - expediu a Recomendação nº ..., anexada, onde todos os partidos/coligações foram instados a observarem o percentual mínimo de mulheres e alertados das consequências vislumbradas pela jurisprudência do TSE.
Neste cenário, a postura da Coligação Impugnada revela total desapego às normas legais e absoluta confiança na omissão do MPE e da Justiça Eleitoral.
Caracterizada a fraude que "possibilitou" o registro, a disputa e a recepção dos votos que deram à Coligação Impugnada o quociente partidário capaz de eleger os Candidatos Impugnados, necessário desconstruir os mandatos obtidos a partir do censurável expediente.
E a AIME, prevista no art. 14, §§ 10 e 11, da CF, se presta exatamente a esta finalidade:
“O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.”

Como se sabe, a fraude cogitada no mencionado dispositivo constitucional é compreendida como qualquer manobra que objetive enganar a Justiça Eleitoral ou o próprio eleitorado e proporcionar resultados diversos daqueles que seriam possíveis, fosse regular e imaculado o ambiente da disputa.
A doutrina assim se expressa sobre o alcance este objeto da AIME:
“A AIME também pode veicular o fato fraude, expressão que deve ser entendida como toda conduta capaz de desvirtuar ou alterar os elementos e as condições da disputa ou inserindo fator estranho ao processo eleitoral, tudo para beneficiar o candidato, em detrimento dos demais. Frauda o processo eleitoral, alterando um dos elementos essenciais da disputa, que é o corpo votante, o candidato que atrai eleitores de municípios diversos, transferindo-os para a circunscrição da disputa, com o compromisso do voto. Com o corpo eleitoral alterado fraudulentamente (apresenta-se endereço ou domicílio falso), as condições da disputa tornam-se desiguais, afetada a normalidade e legitimidade do pleito. Como mencionado no Capítulo II (Registro de Candidatura) – Item 4 (Reserva de Gênero), os partidos devem compor suas listas de candidatos às eleições proporcionais (vereadores e deputados) com observância dos percentuais mínimo (30%) e máximo (70%) para cada um dos sexos. Diante da dificuldade que alguns enfrentam para apresentar pelo menos 30% de mulheres, candidaturas fictas são levadas a registro, daí decorrendo renúncias ou completa inexistência de campanha. A manobra, como se vê, acaba possibilitando a participação do partido na eleição, já que, sem se desincumbir dessa ação afirmativa de participação das mulheres, o partido não teria sequer seu DRAP deferido, ficando prejudicados os registros de todos os seus candidatos, porque devolvida a lista. Com essa fraude, o partido obtém votação capaz de eleger um ou mais candidatos. A fraude não se opera na votação ou na apuração dos votos, mas, ao contrário, no momento da largada da corrida eleitoral.” (Edson de Resende Castro, Curso de Direito Eleitoral, pág. 465, Editora Del Rey, 8ª edição, 2016)  
E o mencionado autor ainda lembra a posição atual do TSE sobre o tema, manifestada absolutamente igual ao aqui tratado:
“Conceito de fraude e propositura de AIME. O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, assentou que se enquadra no conceito de fraude, para fins de cabimento da ação de impugnação de mandato eletivo (art. 14, § 10, da Constituição Federal), a violação do percentual de candidaturas exigido no § 3º, art. 10, da Lei nº 9.504/1997, que dispõe: § 3º Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo. Na hipótese, o juízo da 24ª Zona Eleitoral/PI extinguiu, sem resolução do mérito, ação de impugnação de mandato eletivo ajuizada em desfavor de candidatos eleitos ao cargo de vereador, no pleito de 2012, sob a acusação de suposta fraude eleitoral caracterizada pela adulteração de documento e falsificação de assinaturas para o preenchimento do percentual mínimo de candidaturas previsto em lei. Em concordância, o Tribunal Regional Eleitoral manteve a decisão de piso ao argumento de que o conceito de fraude, para os fins de cabimento da ação de impugnação de mandato eletivo (AIME), é restritivo alcançando somente atos tendentes a afetar a vontade do eleitor. O Ministro Henrique Neves (relator) ressaltou inicialmente que o Tribunal de origem proferiu acórdão em consonância com o posicionamento até então adotado por esta Corte, no sentido de que a fraude que enseja a AIME diz respeito ao processo de votação, nela não se inserindo questões alusivas à inelegibilidade ou a outros vícios passíveis de atingir, de forma fraudulenta, o processo eleitoral. Entretanto, o relator salientou a necessidade de superar esse entendimento, passando-se a interpretar o termo fraude, estampado no art. 14, § 10, da Constituição Federal, de forma ampla, a englobar todas as situações de fraude – inclusive a de fraude à lei – que possam afetar a normalidade das eleições e a legitimidade do mandato obtido. Ressaltou ainda que a AIME deve ser admitida como instrumento processual para preservar a legitimidade e a normalidade das eleições contra toda sorte de abuso, corrupção ou fraude, não cabendo impor limitações ao texto constitucional que não estejam previstas na própria Constituição Federal. Prosseguiu afirmando que a norma constitucional supracitada deve ser considerada com as demais regras e princípios contidos na Lei Maior, de forma a permitir a harmonização das hipóteses de cabimento da AIME com os fins legítimos das eleições que reflitam a vontade popular, livres de influências ilegítimas, tal como consta do § 9º do art. 14 da Constituição Federal. Dessa forma, concluiu que, na espécie, a extinção da ação de impugnação de mandato sem julgamento de mérito, ao fundamento de que a suposta violação do percentual mínimo de candidaturas não se enquadraria no conceito de fraude, deve ser reformada, possibilitando o devido prosseguimento da ação proposta. O Tribunal, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao TRE do Piauí para, afastando o argumento de inviabilidade da via eleita, permitir que a ação de impugnação de mandato eletivo siga seu curso normal e legal, nos termos do voto do relator.” (Recurso Especial Eleitoral n° 149, José Freitas/PI, rel. Min. Henrique Neves da Silva, em 4.8.2015)

Na compreensão mais recente do TSE:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 1-37. 2013.6.10.0003 CLASSE 32 SÃO LUÍS MARANHÃO
Relator originário: Ministro Gilmar Mendes
Redator para o acórdão: Ministro Dias Toffoli
Ementa:
ELEIÇÕES 2012. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO. VEREADOR. DUPLA IDENTIDADE. OCULTAÇÃO DE HISTÓRICO CRIMINAL. FINALIDADE CLARA DE LUDIBRIAR O ELEITOR E BURLAR A LEGISLAÇÃO ELEITORAL. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. AGRAVO PROVIDO.
1. O TSE, no julgamento do REspe nº 1-49/PI, rel. Min. Henrique Neves, assentou que "o conceito da fraude, para fins de cabimento da ação de impugnação de mandato eletivo (art. 14, § 10, da Constituição Federal), é aberto e pode englobar todas as situações em que a normalidade das eleições e a legitimidade do mandato eletivo são afetadas por ações fraudulentas, inclusive nos casos de fraude à lei". (grifei)
2. (...)
3. O candidato, em que pese tenha utilizado na campanha eleitoral o apelido pelo qual era conhecido e apresentado todos os documentos exigidos por lei no momento do registro de candidatura referentes ao seu nome verdadeiro, ao ocultar seu histórico criminal, agiu de forma fraudulenta, com a finalidade clara de ludibriar o eleitor e burlar a legislação eleitoral. (grifei)
4. A conduta analisada nos autos, e reconhecida pelo Tribunal a quo como caracterizadora da fraude apregoada pelo art. 14, § 10, da Constituição Federal, afetou a normalidade das eleições e a legitimidade do mandato eletivo outorgado ao agravado.
5. Agravo regimental provido para, provendo-se o recurso especial interposto, julgar procedente a ação de impugnação de mandato eletivo, restabelecendo a sentença de piso.
(....)
Brasília, 3 de maio de 2016.

No caso, a Coligação Impugnada, que não tinha candidaturas femininas suficientes e, por isso, nem participaria da eleição proporcional, logrou registrar candidatos, disputar o pleito e receber votos, em tudo enganando a Justiça Eleitoral com as aparentes candidaturas, as candidaturas fictícias. Para ficar com as palavras do TSE, a Coligação Impugnada “ocultou” o real conteúdo da sua lista, simulou candidaturas que não o eram de verdade, com a finalidade clara de burlar a legislação eleitoral e de ludibriar a Justiça Eleitoral, no que, como se vê, logrou sucesso.
O TSE, chamado a apreciar caso semelhante ao aqui tratado, ou seja, de inclusão de candidatas fictícias para aparente preenchimento do percentual mínimo, assim se posicionou:

RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO. CORRUPÇÃO. FRAUDE. COEFICIENTE DE GÊNERO. 
(...) 
O conceito da fraude, para fins de cabimento da ação de impugnação de mandato eletivo (art. 14, § 10, da Constituição Federal), é aberto e pode englobar todas as situações em que a normalidade das eleições e a legitimidade do mandato eletivo são afetadas por ações fraudulentas, inclusive nos casos de fraude à lei
A inadmissão da AIME, na espécie, acarretaria violação ao direito de ação e à inafastabilidade da jurisdição. 
Recurso especial provido 
Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao TRE do Piauí para, afastando o argumento de inviabilidade da via eleita, permitir que a ação de impugnação de mandato eletivo siga seu curso normal e legal, nos termos do voto do relator. (grifei)
Brasília, 4 de agosto de 2015.
REspe n° 1-49.2013.6.18.0024/PI - Relator: Min. Henrique Neves.

De outro lado, a fraude na composição da lista de candidatos a vereador também caracteriza abuso de poder, praticado pelo partido/coligação, que tem a exclusiva prerrogativa constitucional de conduzir as candidaturas à Justiça Eleitoral e tem a responsabilidade de, em prévia convenção partidária, formar o grupo de candidatos que vai buscar os votos do eleitorado, para tanto obedecendo fielmente os parâmetros legais, mais marcadamente aquele ditado pelo art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97, ou seja, o percentual mínimo de candidaturas femininas. Mas a Coligação aqui impugnada agiu de forma contrária à lei, tangenciando a disposição legal mencionada e desviando-se do rumo traçado pelo ordenamento jurídico de regência.
E, mais, conduziu o Juiz ao erro quando do registro, oferecendo um DRAP ideologicamente falso, afirmando candidaturas que não o eram de verdade, daí que abusou do poder que a lei lhe conferiu.
Nas palavras do experiente (atuou como magistrado em todos os graus de jurisdição, até chegar ao STF) e festejado Ministro Luiz Fux, a fraude é sempre uma forma de abuso de poder. Entendido de forma mais ampla, para conferir densidade normativa ao dispositivo constitucional que, instituindo a AIME, visa disponibilizar instrumento eficaz de proteção da normalidade e legitimidade das eleições, o abuso de poder deve ser visto como gênero, a comportar diversas espécies de ilícitos que são praticados para alcançar resultado diverso daquele que previsto e permitido pela lei. Vale dizer, o abuso de poder é ilícito gênero e a fraude uma de suas manifestações, ou espécies.
RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 631-84.2012.6.24.0053
SÃO JOÃO BATISTA SANTA CATARINA
Relator: Ministro Luiz Fux
Ementa:
ELEIÇÕES 2012. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL INTERPOSTO POR DANIEL NETTO CÂNDIDO E ÉLIO PEIXER. PREFEITO E VICEPREFEITO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. (...) REENQUADRAMENTO JURÍDICO DOS FATOS. VERIFICAÇÃO DE FRAUDE NA SUBSTITUIÇÃO DE CANDIDAT EM PLEITO MAJORITÁRIO. AUSÊNCIA DA OBSERVÂNCIA DO DEVER DE AMPLA PUBLICIDADE. SUBSTITUIÇÃO OCORRIDA ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO. CONDUTA QUE ULTRAJA O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO EFEITO SURPRESA DO ELEITOR E DA LIBERDADE DE ESCOLHA DOS VOTOS. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE FRAUDES DURANTE O PROCESSO ELEITORAL EM AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE). FRAUDE COMO ESPÉCIE DO GÊNERO ABUSO DE PODER. NECESSIDADE DE SE REPRIMIR, O QUANTO ANTES, PRÁTICAS QUE POSSAM AMESQUINHAR OS PRINCÍPIOS REITORES DA COMPETIÇÃO ELEITORAL. TRANSMISSIBILIDADE DE EVENTUAIS ILÍCITOS PRATICADOS POR INTEGRANTES DA CHAPA ORIGINÁRIA À NOVEL COMPOSIÇÃO. MEDIDA QUE SE IMPÕE COMO FORMA DE COIBIR A PRÁTICA DE ABUSOS ELEITORAIS E A CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO, CAPAZES DE VULNERAR A HIGIDEZ E A NORMALIDADE DO PRÉLIO ELEITORAL. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
1.       (...).
2.       In casu, duas são as teses jurídicas postas ao exame da Corte Superior Eleitoral neste recurso especial. A primeira cinge-se em saber se a substituição da chapa Laudir/Daniel (titular e vice, respectivamente) por Daniel/Élio (titular e vice, respectivamente), às vésperas da data do pleito, qualifica-se juridicamente como fraude eleitoral, de ordem a inquinar a validade do ato. Já a segunda consiste em perquirir se é possível imputar a suposta prática de ilícito eleitoral (no caso, captação ilícita de sufrágio, ex vi do art. 41-A da Lei das Eleições), levada a efeito pelo candidato renunciante Laudir, à novel chapa composta pelo anterior candidato a vice, Daniel Netto Cândido, alçado à condição de titular, e Élio Peixer, escolhido pela Coligação como novo candidato a Vice-Prefeito.
3.       A substituição às vésperas de pleito majoritário lastreia-se em juízo objetivo, i.e., o ato de substituição em si considerado, e material, i.e., o exame das circunstâncias fáticas que ensejaram a modificação da chapa originariamente registrada na Justiça Eleitoral.
4.       A ratio essendi ínsita a este regramento consiste em evitar, ou, ao menos, amainar os impactos deletérios da substituição dos candidatos em momentos próximos ao pleito (e, regra, às suas vésperas), que surpreendem negativamente os eleitores. Cuida-se, então, de garantia normativa de não surpresa do eleitor.
5.       O postulado da liberdade de escolha dos cidadãos sobressai como vetor metanormativo para a exigência de ampla publicidade da substituição em pleitos majoritários.
6.       Toda fraude é uma conduta abusiva aos olhos do Direito.
7.       No caso sub examine,
a) Laudir Kammer renunciou à sua candidatura ao cargo de Prefeito no dia 6.10.2012, véspera do pleito, às 17 horas. Às 19 horas do mesmo dia, foi definida nova chapa, desta vez composta por Daniel Netto Cândido (na qualidade de titular) e Élio Peixer (na qualidade de vice), circunstância de fato que evidencia a ausência do requisito da ampla publicidade, tal como exigido pela legislação de regência.
b) A substituição às vésperas do pleito criou uma espécie de véu da ignorância nos cidadãos, que desconheciam por completo a alteração da chapa majoritária e, por via de consequência, nem sequer tiveram tempo suficiente para formar uma convicção (ainda que para manter o voto na nova chapa formada) sobre em quem votariam.
c) Ademais, milita em favor da tese esposada o fato de o requerimento do registro de candidatura de Laudir Kammer vir sendo indeferido pelas instâncias ordinárias eleitorais (processo nº 191-88.2012.624.0053). O indeferimento estribou-se na condenação judicial transitada em julgado de Laudir, em sede de ação de investigação judicial eleitoral, que reconhecera a prática de uso indevido dos meios de comunicação e declarara sua inelegibilidade por 8 (oito) anos.
d) a renúncia do titular, com a consequente substituição da chapa, vulnerou o princípio da vedação ao efeito surpresa dos eleitores, cujo conteúdo jurídico preconiza, em dimensão autoevidente, ser direito do cidadão-eleitor que os candidatos constantes das urnas eletrônicas sejam, na máxima extensão possível, os mesmos que efetivamente estejam concorrendo a cargos político-eletivos.
e) Do ponto de vista jurídico-processual, é perfeitamente possível e recomendável apurar a ocorrência, ou não, de fraude em ação de investigação judicial eleitoral, uma vez que as ações eleitorais, embora veiculem pretensões subjetivas, assumem a feição de tutela coletiva, seja por tutelarem interesses supraindividuais, seja por resguardarem a própria noção de democracia.
f) A teleologia subjacente à investigação judicial eleitoral consiste em proteger a legitimidade, a normalidade e a higidez das eleições, de sorte que o abuso de poder a que se referem os arts. 19 a 22 da LC 64/90 deve ser compreendido de forma ampla, albergando condutas fraudulentas e contrárias ao ordenamento jurídico-eleitoral. A rigor, a fraude nada mais é do que espécie do gênero abuso de poder.
g) O abuso de poder, num elastério hermenêutico, resta caracterizado com a renúncia de candidato, sabidamente inelegível (possuía uma condenação em AIJE transitada em julgado com o reconhecimento de inelegibilidade, a teor do art. 22, XIV, da LC 64/90), oportunizando a substituição da chapa em pleito majoritário, às vésperas do pleito, sem a contrapartida exigida de ampla publicidade, por ultrajar a ratio essendi que justifica a existência jurídica da ação de investigação judicial eleitoral.
8.       A transmissibilidade de eventuais ilícitos praticados por integrantes da chapa originária à novel composição é medida que se impõe como forma de coibir a prática de abusos eleitorais e a captação ilícita de sufrágio, capazes de amesquinhar a higidez e a normalidade do prélio eleitoral.
(...)
Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial eleitoral, para determinar a cassação dos cargos de prefeito e vice-prefeito do Município de São João Batista/SC, eleitos no pleito de 2012, e exercício dos mandatos, prejudicada a Ação Cautelar nº 792-57/SC vinculada a este processo, nos termos do voto do relator.
Brasília, 2 de agosto de 2016.

DA CONCLUSÃO
Então, o comportamento da Coligação Impugnada, inscrevendo candidaturas fictícias que possibilitaram o deferimento do seu DRAP, a recepção de votos e a consequente formação de quociente partidário, conceituado como FRAUDE ou como ABUSO DE PODER, exige pronta atuação da Justiça Eleitoral, para desconstituir os mandatos dos titulares e dos suplentes, daí decorrentes.
DAS CONSEQUÊNCIAS DA DESCONSTITUIÇÃO DOS MANDATOS
Desconstituídos tais mandatos, a nulidade dos votos atribuídos à Coligação Impugnada é consequência ínsita ao reconhecimento da sua participação fraudulenta no processo eleitoral, do que decorre a necessidade de distribuir aos demais partidos/coligações, que alcançaram o quociente eleitoral, as cadeiras “conquistadas” ilicitamente, segundo as regras do cálculo de sobras eleitorais, conforme disciplinado no art. 109, do Código Eleitoral. Não é o caso, segundo parece ao MP, de refazer o cálculo do quociente eleitoral (que é a divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras a preencher), para, a partir dele, determinar novo quociente partidário, já que, ao tempo da votação, a Coligação Impugnada tinha registro deferido, daqui que, naquele momento, o eleitor votava validamente. Então, o número de votos válidos, considerado o dia da eleição, continua o mesmo e, por conseguinte, também o mesmo quociente eleitoral e os quocientes partidários de cada um dos demais partidos/coligações concorrentes. As vagas “conquistadas” pela Coligação Impugnada, assim que desconstituídas, devem ser somadas às não preenchidas naquela primeira rodada de distribuição (art. 107, do CE), para então serem distribuídas pelas regras das sobras eleitorais, conforme disciplina do dito art. 109, do CE.   
DOS PEDIDOS
Em face do exposto, requer o Ministério Público Eleitoral:
1) Seja recebida a presente e os documentos que a instruem, especialmente o PPE n....................................;
2) Seja determinada a notificação dos Impugnados para a defesa que tiverem, no prazo de 07 (sete) dias
3) Sejam, em audiência, ouvidas as Requeridas .................. (candidatas fictícias) e as testemunhas arroladas abaixo.
4)  Seja, ao final, julgado procedente o pedido:
a) para reconhecer a prática da fraude e do abuso de poder na composição da lista de candidatos às eleições proporcionais, atribuída ao Reqdo ...........;
b) para desconstituir todos os mandatos obtidos pela Coligação, dos titulares e dos suplentes impugnados; e
c) via de consequência, considerar nulos todos os votos atribuídos à Coligação Impugnada, para determinar sejam os ...... mandatos por ela “conquistados” distribuídos, segundo a regra do art. 109, do Código Eleitoral, aos demais partidos que alcançaram o quociente partidário (cálculo das sobras eleitorais).
Cidade – CE., ____ de _________________ de 2017.

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Promotor Eleitoral



ROL DE TESTEMUNHAS:
1.
2.
3.
4.
5.


AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ ELEITORAL DA ---ª ELEITORAL EM ---. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL ,                                    ...